segunda-feira, 22 de dezembro de 2014


A BOCA FALA O QUE O CORAÇÃO ESTÁ CHEIO

     No seu retorno às atividades no Congresso Nacional, o senador Aécio Neves mostrou-se ainda ressabiado pela derrota na eleição presidencial. Com um tom belicoso, mandou um recado para a presidente Dilma: “Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o que me foi delegado pela grande maioria da população brasileira, por 51 milhões dos brasileiros (...) e de forma arrogante continua: “Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessam aos brasileiros”. O senador Aécio acertou na premissa, errou nos argumentos e isso pode comprometer a sua atuação como contraponto ao Governo.

     O primeiro equívoco do senador: ele não recebeu a maioria dos votos dos brasileiros, se assim fosse, seria eleito; a presidente Dilma foi eleita com mais de 53 milhões de votos. Segundo equívoco: os 51 milhões de votos a que ele se reportou foram para exercer uma oposição responsável e produtiva, não essa anunciada, no pilar da arrogância, cheia de fel e de rancor. Se esse percentual que votou no PSDB delegou ao senador uma oposição destrutiva, então não deseja, na verdade, o bem para o Brasil. Guardo em mim a convicção de que dentro desse percentual que votou no senador Aécio, a maioria é composta de pessoas de boa fé, que deseja mudança. Mas feita com discernimento e responsabilidade. Porque, apesar de termos opiniões diferentes em diversos assuntos e é dessa forma que crescemos ─, no fundo, todos nós desejamos o bem para o País.

     O Brasil possui mais de oito milhões de quilômetros quadrados, com suas diversidades climáticas e regionais, costumes e hábitos locais que enriquecem a nossa cultura. Trata-se de um povo que apesar das contradições gritantes do país, onde o abandono da maioria de seus filhos é combustível para políticos inescrupulosos, enfrentamos e combatemos todo dia esse mal. Ao acordar pela manhã, o homem e a mulher de bem partem para suas atividades diárias: ir para o trabalho, levar os filhos à escola, sair para fazer compras, encontrar amigos; dessa maneira, crescemos no diálogo fraterno e em humanidade. Muito além dos absurdos existências, da preferência por determinada agremiação, o ser humano é prioridade, não importa que esteja no norte ou no sul, que seja “branco” ou negro, e como vaticinou Martin Luther King, o homem deve ser avaliado pela dimensão do seu caráter.    

Pensemos nisso.

Um forte abraço.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


A VOZ DA LUCIDEZ NO MEIO DA PASSEATA DO ÓDIO
 

     O coordenador digital de Aécio Neves, o ex-deputado Xico Graziano, durante a campanha presidencial, foi duramente atacado nas redes sociais, após criticar um protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que aconteceu no dia 1º (sábado), na Avenida Paulista, em São Paulo. Graziano disse que falar de impeachment contra a presidente após a vitória nas urnas, é “absurdo” e “antidemocrático”. O posicionamento equilibrado, sensato e carregado de espírito democrático de Graziano provocou a ira daqueles acostumados com que suas idéias e vontades se transformem em caixa de ressonância coletiva. Quando isso não acontece, agridem física e moralmente quem discorde deles. Foi o caso do ex-deputado tucano, que passou a ser hostilizado nas redes sociais acusado de ser “comunista” e “petralha.”

     Depois de postarem nas redes sociais tais coisas: “Pessoas como você mancham a social democracia e você é sim comunista”, disse uma das internautas na página do político. Outros acusaram o ex-deputado de ser “linha auxiliar do PT” e “esquerdopata”. “Agora sabemos por que Aécio perdeu. Ficou reféns de traíras como esse bestalhão do Xico Graziano. Afinal o senhor trabalha para quem? Para os petralhas certo?”. Graziano resolveu publicar um novo texto, que reproduziremos na íntegra.

 

"Mexi num vespeiro da política ao postar aqui, ontem, opinião contrária ao impeachment da Dilma. Julguei a causa antidemocrática, não republicana. Não gostei daqueles discursos irados, revanchistas e reacionários. Tomei um troco bravo. Recebi centenas de comentários, críticos a maioria, de baixo nível muitos deles. Vou aprofundar a polêmica. Sigam meu raciocínio.
Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias. O Deputado Bolsonaro e o ensaísta Olavo de Carvalho são seus expoentes.

Tudo bem. Acontece que, no período das eleições presidenciais, essa tendência se articula no seio do PSDB, trazendo para nosso partido suas causas. É normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdo.
A intolerância mostrada em minha página do facebook reflete essa incompreensão. Criticam minha coerência, decepcionam-se com os meus valores imaginando que eu deveria assumir os deles. Pior, alguns tolamente me acusam de ser “petista infiltrado”. Dá até um pouco de dó.

Ora, nós, do PSDB, nascemos inspirados na socialdemocracia europeia, com viés da esquerda. Nossa origem reside no MDB autêntico, que foi decisivo na derrubada da ditadura militar. Nós fomos decisivos na Constituinte de 1988. Fomos nós, com FHC à frente, que criamos as bases socioeconômicas do Brasil atual, inclusive as políticas de transferência de renda e as cotas.
Na complexidade do mundo contemporâneo anda difícil rotular os partidos, e as pessoas, como de “direita” ou de “esquerda”, categorias válidas no século passado, mas ultrapassadas hoje em dia. De qualquer forma, quem concordar com as teses dessa turma aguerrida que vê o comunismo chegando, é contra os benefícios sociais, sonha com a ordem militar, por favor, deixem o PSDB. Vocês é que estão no lugar errado, não eu!"

     Essa é a postura de um verdadeiro democrata que respeita a decisão do povo e não motiva os descontentes ao golpismo. Só ouvimos na boca dos políticos a palavra democracia, mas demonstrações desse sentimento são raras; haja vista, o comportamento daqueles que deveriam apaziguar os ânimos, em vez disso, põe mais gasolina no incêndio. Refiro-me ao senhor Fernando Henrique Cardoso, que foi presidente do Brasil e esperava dele uma voz sensata no PSDB, mas escreve artigos incentivando o rancor e o ressentimento. Pelo tocar da carruagem, os próximos quatro anos serão difíceis, de uma oposição que fará de tudo que estiver ao seu alcance para inviabilizar o governo da Presidente Dilma, na intenção de tomar o poder em 2018: Sabotar o Brasil, eis a meta da oposição!  Não sabendo eles que o imponderável tem participação decisiva nas ambições humanas.

   Pensemos nisso.
  Um forte abraço.
  Até a próxima!

  Um forte abraço.

  Até a próxima!