segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


A VOZ DA LUCIDEZ NO MEIO DA PASSEATA DO ÓDIO
 

     O coordenador digital de Aécio Neves, o ex-deputado Xico Graziano, durante a campanha presidencial, foi duramente atacado nas redes sociais, após criticar um protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que aconteceu no dia 1º (sábado), na Avenida Paulista, em São Paulo. Graziano disse que falar de impeachment contra a presidente após a vitória nas urnas, é “absurdo” e “antidemocrático”. O posicionamento equilibrado, sensato e carregado de espírito democrático de Graziano provocou a ira daqueles acostumados com que suas idéias e vontades se transformem em caixa de ressonância coletiva. Quando isso não acontece, agridem física e moralmente quem discorde deles. Foi o caso do ex-deputado tucano, que passou a ser hostilizado nas redes sociais acusado de ser “comunista” e “petralha.”

     Depois de postarem nas redes sociais tais coisas: “Pessoas como você mancham a social democracia e você é sim comunista”, disse uma das internautas na página do político. Outros acusaram o ex-deputado de ser “linha auxiliar do PT” e “esquerdopata”. “Agora sabemos por que Aécio perdeu. Ficou reféns de traíras como esse bestalhão do Xico Graziano. Afinal o senhor trabalha para quem? Para os petralhas certo?”. Graziano resolveu publicar um novo texto, que reproduziremos na íntegra.

 

"Mexi num vespeiro da política ao postar aqui, ontem, opinião contrária ao impeachment da Dilma. Julguei a causa antidemocrática, não republicana. Não gostei daqueles discursos irados, revanchistas e reacionários. Tomei um troco bravo. Recebi centenas de comentários, críticos a maioria, de baixo nível muitos deles. Vou aprofundar a polêmica. Sigam meu raciocínio.
Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias. O Deputado Bolsonaro e o ensaísta Olavo de Carvalho são seus expoentes.

Tudo bem. Acontece que, no período das eleições presidenciais, essa tendência se articula no seio do PSDB, trazendo para nosso partido suas causas. É normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdo.
A intolerância mostrada em minha página do facebook reflete essa incompreensão. Criticam minha coerência, decepcionam-se com os meus valores imaginando que eu deveria assumir os deles. Pior, alguns tolamente me acusam de ser “petista infiltrado”. Dá até um pouco de dó.

Ora, nós, do PSDB, nascemos inspirados na socialdemocracia europeia, com viés da esquerda. Nossa origem reside no MDB autêntico, que foi decisivo na derrubada da ditadura militar. Nós fomos decisivos na Constituinte de 1988. Fomos nós, com FHC à frente, que criamos as bases socioeconômicas do Brasil atual, inclusive as políticas de transferência de renda e as cotas.
Na complexidade do mundo contemporâneo anda difícil rotular os partidos, e as pessoas, como de “direita” ou de “esquerda”, categorias válidas no século passado, mas ultrapassadas hoje em dia. De qualquer forma, quem concordar com as teses dessa turma aguerrida que vê o comunismo chegando, é contra os benefícios sociais, sonha com a ordem militar, por favor, deixem o PSDB. Vocês é que estão no lugar errado, não eu!"

     Essa é a postura de um verdadeiro democrata que respeita a decisão do povo e não motiva os descontentes ao golpismo. Só ouvimos na boca dos políticos a palavra democracia, mas demonstrações desse sentimento são raras; haja vista, o comportamento daqueles que deveriam apaziguar os ânimos, em vez disso, põe mais gasolina no incêndio. Refiro-me ao senhor Fernando Henrique Cardoso, que foi presidente do Brasil e esperava dele uma voz sensata no PSDB, mas escreve artigos incentivando o rancor e o ressentimento. Pelo tocar da carruagem, os próximos quatro anos serão difíceis, de uma oposição que fará de tudo que estiver ao seu alcance para inviabilizar o governo da Presidente Dilma, na intenção de tomar o poder em 2018: Sabotar o Brasil, eis a meta da oposição!  Não sabendo eles que o imponderável tem participação decisiva nas ambições humanas.

   Pensemos nisso.
  Um forte abraço.
  Até a próxima!

  Um forte abraço.

  Até a próxima!

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