A BOCA FALA O QUE O CORAÇÃO ESTÁ CHEIO
No seu
retorno às atividades no Congresso Nacional, o senador Aécio Neves mostrou-se
ainda ressabiado pela derrota na eleição presidencial. Com um tom belicoso,
mandou um recado para a presidente Dilma: “Eu chego hoje ao Congresso Nacional
para exercer o que me foi delegado pela grande maioria da população brasileira,
por 51 milhões dos brasileiros (...) e de forma arrogante continua: “Se
quiserem dialogar, apresentem propostas que interessam aos brasileiros”. O
senador Aécio acertou na premissa, errou nos argumentos e isso pode comprometer
a sua atuação como contraponto ao Governo.
O
primeiro equívoco do senador: ele não recebeu a maioria dos votos dos
brasileiros, se assim fosse, seria eleito; a presidente Dilma foi eleita com
mais de 53 milhões de votos. Segundo equívoco: os 51 milhões de votos a que ele
se reportou foram para exercer uma oposição responsável e produtiva, não essa
anunciada, no pilar da arrogância, cheia de fel e de rancor. Se esse percentual
que votou no PSDB delegou ao senador uma oposição destrutiva, então não deseja,
na verdade, o bem para o Brasil. Guardo em mim a convicção de que dentro desse
percentual que votou no senador Aécio, a maioria é composta de pessoas de boa
fé, que deseja mudança. Mas feita com discernimento e responsabilidade. Porque,
apesar de termos opiniões diferentes em diversos assuntos ─ e
é dessa forma que crescemos ─, no fundo, todos nós desejamos o bem para o
País.
O
Brasil possui mais de oito milhões de quilômetros quadrados, com suas
diversidades climáticas e regionais, costumes e hábitos locais que enriquecem a
nossa cultura. Trata-se de um povo que apesar das contradições gritantes do
país, onde o abandono da maioria de seus filhos é combustível para políticos
inescrupulosos, enfrentamos e combatemos todo dia esse mal. Ao acordar pela
manhã, o homem e a mulher de bem partem para suas atividades diárias: ir para o
trabalho, levar os filhos à escola, sair para fazer compras, encontrar amigos;
dessa maneira, crescemos no diálogo fraterno e em humanidade. Muito além dos
absurdos existências, da preferência por determinada agremiação, o ser humano é
prioridade, não importa que esteja no norte ou no sul, que seja “branco” ou
negro, e como vaticinou Martin Luther King, o homem deve ser avaliado pela
dimensão do seu caráter.
Pensemos nisso.
Um forte abraço.
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